Passeando pelo site da UNESCO (eu fuço tudo por aí…kkk), encontrei uma informação que me deixou feliz e pensei que ela merecia chegar até você também. Descobri que muita gente, depois dos 40, 50, 60 e até 70 anos, resolveu aprender alguma coisa nova. Alguns voltam para a faculdade, outros começam um curso de fotografia, de música, de idiomas ou de informática, não porque precisam de uma nota ou de um diploma, mas porque descobriram que ainda não terminaram de se conhecer.
Enquanto lia aquilo, fiquei pensando numa coisa muito estranha: parece que a gente trata o aprendizado como se tivesse prazo de validade. Quando somos crianças, aprender faz parte da vida. Depois vêm a faculdade, o trabalho e as responsabilidades e, de repente, parece existir um acordo silencioso dizendo que agora você já deveria saber viver, trabalhar, cozinhar, dirigir, conversar, decidir e resolver tudo sozinho. Perguntar dá vergonha, errar parece constrangedor e recomeçar, então, quase soa como fracasso.
Só que tem um monte de gente fazendo exatamente o contrário.
Tem gente comprando um caderno novo aos 62 anos, entrando numa sala de aula depois de décadas, aprendendo a tocar violão, a falar outra língua ou simplesmente descobrindo um assunto pelo qual nunca teve oportunidade de se interessar. E eu fico olhando para isso pensando que começar do zero talvez seja uma das maiores demonstrações de coragem que existem, porque exige uma humildade que nem sempre a vida adulta permite. É aceitar não saber, levantar a mão, fazer perguntas e ouvir alguém explicar uma coisa que talvez todo mundo ao redor pareça conhecer há muito tempo.
Fechei aquela página pensando que essa talvez fosse uma das notícias mais bonitas que encontrei nos últimos tempos. Não porque ela fala de universidades ou de cursos, mas porque me lembrou que ainda existe gente comprando um caderno novo quando o mundo inteiro parece dizer que já era tarde.
Você pode estar se perguntando o que diabos eu estava fazendo no site da UNESCO… kkkkk… sei lá. Eu passeio pela internet o tempo inteiro e, quando vejo, já estou lendo sobre um assunto completamente aleatório.
É divertido. Acho que boa parte dos meus textos nasce justamente dessas caminhadas sem destino. E, dessa vez, voltei pensando que talvez a gente envelheça no dia em que acredita que já aprendeu tudo o que tinha para aprender.
Tina | Continuando a acreditar que ainda existe uma versão de mim que não conheço. ❤️

