Outro dia estava conversando com um amigo e fiz para ele uma pergunta que nunca tinha feito para mim mesma: quem você está se tornando (ou se tornou) ao lado da pessoa que ama?
A gente quer saber se ama, se é amado, se existe respeito, se combina, se dá risada das mesmas coisas, se o beijo encaixa, se o futuro faz sentido… mas dificilmente pára para pensar em quem está se tornando ao lado daquela pessoa. E acho essa uma pergunta, ou melhor, essa resposta perigosa, porque ninguém deixa de ser quem é de uma vez. Isso acontece devagar…
Você para de comentar determinados assuntos porque sempre termina em discussão. Deixa de ouvir uma música porque o outro reclama. Vai desistindo de um passeio, de uma roupa, de um amigo, de um hobby, de uma ideia. No começo parece maturidade, mas depois parece adaptação. Quando percebe, já não sabe mais se mudou porque quis ou porque foi ficando mais fácil… foi se acomodando para não ter ou não causar problemas.
Existe uma diferença enorme entre dividir a vida com alguém e diminuir para caber na vida de alguém… Ou diminuir alguém para caber na nossa vida, vai saber… A gente pode acabar sendo tóxico também, cedo ou tarde, e seria imaturo não admitir isso. E talvez essa diferença seja quase invisível enquanto está acontecendo.
Eu conheço pessoas que começaram um relacionamento e voltaram a estudar, viajaram mais, criaram coragem para mudar de emprego, aprenderam coisas novas e descobriram interesses que nem imaginavam ter. Também conheço gente que foi ficando menor. Parou de falar alto, de rir de um determinado jeito, de encontrar os amigos, de sonhar algumas coisas e, aos poucos, foi se tornando uma versão mais silenciosa de si mesma. Nenhuma dessas mudanças acontece numa quinta-feira às nove da manhã, não é mesmo? Elas acontecem em pequenas escolhas que parecem insignificantes quando vistas isoladamente. Só que a vida é feita justamente dessas pequenas escolhas e isso é complicaaado…
Outro dia, nesses meus devaneios enquanto escrevo sobre várias coisas, me perguntei se um relacionamento deveria ser medido apenas pelo amor.
O que você acha? Sim, não… Não sabe?
Acredito que não. Acho que ele também devesse ser medido pela liberdade, pela quantidade de espaço que existe para você continuar mudando, aprendendo, errando, criando novas versões de si mesmo e descobrindo que ainda não terminou de se conhecer. Enquanto o meu amigo se atrapalhava todo na resposta que estava me dando, fiquei me perguntando também se a pessoa certa talvez não seja aquela que faz você querer mudar realmente e ser uma versão melhor de si mesmo.
Mas deixo aqui mais uma pergunta: você quer ser uma versão melhor de si mesmo ou onde você se acomodou já é suficiente para você?
Tina | Desejando que a vida nunca me peça para caber onde já não sou inteira. ❤️

