Outro dia, fui olhar quais eram os assuntos mais pesquisados no Google. Achei que encontraria inteligência artificial, investimentos, política, futebol, viagens… essas coisas que fazem bastante barulho. Mas encontrei gente tentando entender por que está tão cansada, por que perdeu a vontade de fazer as coisas, por que não consegue fazer amigos depois dos 30, por que pensa tanto, por que se sente sozinha mesmo cercada de pessoas e, principalmente, por que parece viver um mundo diferente daquele que todo mundo parece entender tão bem.
Essa última sensação me pegou de um jeito diferente, porque eu também passei boa parte da vida tentando entender por que algumas coisas pareciam simples para todo mundo e extremamente difíceis para mim. Só sabia que voltava exausta de lugares onde as outras pessoas pareciam ganhar energia, que conversas longas drenavam meu corpo, que barulho demais me desmontava por dentro, que eu precisava de silêncio para continuar existindo e que, muitas vezes, depois de muita interação social, eu simplesmente apagava de mim.
Durante muito tempo procurei uma explicação para isso. Hoje penso que talvez exista uma quantidade enorme de gente fazendo exatamente a mesma coisa: tentando entender a própria vida sem saber muito bem por onde começar.
E acho que é isso que torna essas pesquisas tão humanas. Ninguém digita “por que não tenho vontade de fazer nada?” por curiosidade. Existe um dia inteiro antes dessa frase. Às vezes uma semana, às vezes meses. Também não imagino alguém pesquisando “como fazer amigos depois dos 30?” no meio de uma roda animada de amigos. Essa pergunta nasce em outro lugar, quando a vida vai ficando cheia de compromissos, boletos, cansaço, mensagens não respondidas e uma solidão meio sem nome.
“Como parar de pensar tanto?” também me parece uma pergunta muito honesta. Eu mesma adoraria saber. Minha cabeça abre vinte abas ao mesmo tempo, esquece onde colocou metade delas e ainda toca uma música aleatória no fundo. Talvez ninguém queira realmente parar de pensar. Talvez a gente só queira alguns minutos de silêncio dentro da própria mente…
O que mais me chama atenção é que as redes sociais mostram uma humanidade performando o tempo todo. Todo mundo produzindo, viajando, treinando, sorrindo, opinando, vencendo, recomeçando, comprando planner, organizando a rotina e parecendo minimamente funcional. Depois, provavelmente a mesma humanidade abre uma aba escondida e pergunta ao Google por que está tão cansada.
No Instagram, a gente publica a vida que conseguiu arrumar para os outros verem. No Google, a gente escreve a vida que ainda está tentando entender.
Talvez seja por isso que essas pesquisas tenham ficado na minha cabeça. Elas não parecem apenas dados. Parecem confissões anônimas. Pequenos pedidos de socorro digitados em silêncio, muitas vezes de madrugada, quando ninguém está olhando e a pessoa finalmente pode perguntar aquilo que não conseguiu dizer em voz alta.
E, se um dia alguém quiser entender como era viver nesta época, talvez não precise começar pelos grandes acontecimentos. Talvez baste olhar para o que a humanidade pesquisava quando achava que ninguém estava vendo…
Tina | Procurando respostas e colecionando perguntas.

