Desde pequena, ouço as pessoas falando sobre mim: “ela vive doente”, “com dor de novo?” ou “qual a desculpa agora?”.
Eu ficava muito triste porque, além de ter que lidar com dores, hospitais, medicamentos e tratamentos que nem sempre fizeram efeito, ainda tinha uma luta contra mim mesma: não demonstrar para ninguém, ou demonstrar o mínimo possível, de dor, medo e angústia.
Mantive uma personagem feliz (e bêbada, diga-se de passagem), que todos aceitavam muito melhor do que a minha versão real. Enfim…
O meu combo veio completo desde cedo: autismo, asma, ansiedade, depressão, bruxismo, fibromialgia… A vida olhou pra mim e pensou: ‘manda o pacote premium’. Desde sempre estou escondendo (ou tentando esconder) o que sinto.
Minha inteligência nunca me levou muito longe, porque eu sempre me distraio tendo que lidar com tudo isso e acabo me perdendo no caminho. Me sinto como um doguinho correndo atrás do próprio rabo. Fico recomeçando e recomeçando…
Outra luta é tentar não sentir culpa por não conseguir render como eu (ou o mundo?) gostaria.
“UAU!! A Tina é supercalifragilisticexpialidoce produtiva!”
A verdade é que quase sempre escolhi a exaustão em vez da culpa de demonstrar dor, fraqueza ou que aquilo era demais pra mim.
Lembro do dia em que uma grande amiga descobriu que eu lutava contra ansiedade e depressão. Ela ficou em choque:
“A Tina tem depressão? A Tina? A minha amiga Tina? Não pode ser… Mas por quê? Ela é tão feliz.”
Claro que não fazia sentido para ela. Eu só permitia que as pessoas vissem o meu lado decorado. Aquele em que eu ensaiava cada ação, cada frase e cada piada na noite anterior. Se tenho um evento daqui a duas semanas, passo essas duas semanas pensando em como vou agir, falar, me apresentar ao mundo…
Parece exagero? Para mim sempre foi roTINA (rs), mas estou cansada. Exausta de verdade verdadeira.
Me desculpe se te decepcionei hoje. É que eu venho me decepcionando há quase 50 anos e decidi experimentar fazer diferente nessa segunda (espero eu) metade da minha vida.
Obrigada por você ter lido até aqui.
Espero que você ainda continue gostando de mim.
Ah! Hoje, completo 48 anos de vida. 🥳
Tina | Aprendendo a se respeitar sem se importar com a opinião alheia.

