Tenho fibromialgia há muitos anos e existe uma coisa que meu corpo aprendeu antes de mim: o frio chegou.
Nem preciso olhar a previsão do tempo. As dores aumentam, o corpo fica rígido, levantar da cama exige uma negociação enorme e tarefas simples passam a custar uma energia que, no verão, parecem não exigir.
Mas isso acontece só comigo? Não.
A fibromialgia é uma síndrome que provoca dor crônica e uma sensibilidade aumentada à dor. De maneira simplificada, é como se o cérebro amplificasse sinais que, em outras pessoas, passariam despercebidos. Além disso, ela costuma vir acompanhada de fadiga, sono irregular, dificuldade de concentração e daquela sensação de que o corpo inteiro resolveu trabalhar contra você.
Embora a ciência ainda não tenha uma resposta definitiva para explicar a piora no inverno, existem hipóteses…
O frio provoca contração muscular, reduz a flexibilidade dos tecidos e pode aumentar a percepção da dor em pessoas que já possuem um sistema nervoso hipersensível. Em minhas pesquisas e conversas com vários médicos, dizem que também se soma ao fato de que nos movimentamos menos, passamos mais tempo em ambientes fechados e recebemos menos luz solar.
Eu sempre recebo pouca luz solar. (Olá, vitamina D. Cê tá bem, fia?)
O diacho da dor nunca escolhe um lugar só e em alguns dias está nos quadris depois aparece na mão esquerda… Mais tarde resolve morar na coxa direita e por aí vai viajando pelo meu corpo.
Parece que alguém aumentou o grau de todas as sensações ao mesmo tempo e quebrou o dimmer no final!
Tem outra parte difícil nesse rolê todo que é explicar isso para quem não conhece a doença. Quem olha de fora vê uma pessoa aparentemente normal. Quem convive com ela sabe que existem dias em que sair da cama ou tomar um banho já são desafios suficientes.
Aprendi a tratar meu corpo com mais gentileza nessa época do ano, com banhos quentes, cobertas, bolsas térmicas, pausas e menos cobrança. Tudo isso não cura a fibromialgia, mas torna a caminhada um pouco menos pesada.
Se você tem fibromialgia, deixo aqui o meu abraço.
Um abraço de leve, bem de levezinho. rs.
Tina | Não podemos esquecer que gentileza também é tratamento.

