A pandemia chegou em 2020 como quem desliga o som no meio da música.
O mundo parou, e fomos obrigados a recomeçar de um lugar que já não era o mesmo.
As festas, os trabalhos, os encontros, os sonhos em andamento…
E junto com isso, vieram perdas irreparáveis. O meu avô, a minha tia, amigos…
Gente que eu amava com o corpo inteiro.
Foi uma época de tanto medo e vazio que às vezes parecia que o ar tinha gosto de angústia.
Saí da agência que eu amava trabalhar, entreguei o meu apê alugado e voltei a morar com os meus pais.
Tudo aquilo que eu chamava de “meu futuro” virou um borrão sem forma.
Fui atravessada por uma revolta tão funda que me engasgava.
Era injusto. Era desolador.
Mas não dava pra parar. Eu precisava me reorganizar.
Não porque eu queria, mas porque a vida exigia.
Foi ali, naquele recomeço forçado, que minha pequenina agência nasceu. Em meu antigo quarto na casa dos meus pais, com internet nem smepre estável e medo constante. Mas também com uma força que eu não sabia que tinha.
Criei, estudei, insisti. Mesmo sem chão.
Com o tempo, e depois de muito esforço, consegui sair de casa novamente, dessa vez, com o meu trabalho andando junto comigo.
Estava com medo, ainda com cicatrizes profundas… mas com muita esperança.
A vida pós-COVID se mostrou um novo planeta: estranho, diferente, mas ainda fértil.
E mesmo com todas as dores, eu escolhi continuar.
Escolhi dançar com o que restou. E o que restou… foi muita coisa boa também.
A pandemia me mostrou que não existe solo seguro. Mas também me mostrou que eu sou feita de raiz e de vento.
Que eu posso me perder inteira… e ainda assim me reinventar.
Porque quando tudo vira silêncio, a gente finalmente escuta o que importa.
Te desejo saúde, fé e renovação, sempre que o seu chão faltar.
Tina (sobrevivendo).

