Eu não sei o que está acontecendo!
Eu me mudei. Inclusive, me mudei fugindo da fauna da antiga casa.
Mas parece que esqueceram de avisar a fauna.
Logo nas primeiras noites em meu novo lar, apareceu uma Ariana do tamanho da palma da minha mão.
Eu não sabia exatamente quanto Baygon era necessário para matar uma aranha desse tamanho, então usei como critério algo básico: enquanto ela estiver se mexendo, eu continuo apertando.
Sobrou 2/3 do Baygon.
Em minha defesa, o primeiro 1/3 foi usado na Ariana da antiga casa.
Dois dias depois, apareceu um Julião, OUTRO escorpião, e eu me perguntei: POR QUEEEE, DEUS? POR QUEEEE, UNIVERSO? POR QUEEEE, ANJOS, FADAS, ELFOS, SACI-PERERÊ E CAIPORA?! POR QUEEEE?
Podia ser um espírito perdido, mas nããão… Foi um escorpião-amarelo imenso!
Do nada, eu tendo que lidar com um Max Julião.
Senti saudades do Sandro, o saruê.
Max Julião viraria um banquete e tanto para ele!
Enfim, peguei o spray, chacoalhei o frasco e pensei: olha que ótimo, ainda tenho Baygon!
E lá se foi o resto…
Alguns dias se passaram e, hoje, quando acordei, a primeira coisa que minha vista “calibrou” foi uma Ariana de uns 5 centímetros descendo por sua teia bem em cima de mim.
Assoprei, bati, gritei e ela sumiu.
Procurei até o momento em que me questionei: teria sido um sonho?
Minutos depois, fui ao banheiro e, ao passar pelo quarto, lá estava ela no teto do meu quarto.
Ela tinha cara de louca e era grande, sim. E lá se foi mais um tanto do veneno novo, que nem Baygon é… É outro. Era o que estava disponível no momento da compra. Fiquei com medo de não ter a mesma eficácia. Mas usei, e não foi pouco.
Mas estou aqui pensando… No meio desse elenco todo, aconteceu uma coisa que eu não esperava: estou aprendendo.
Aprendendo e ficando mais corajosa, diga-se de passagem.
Estou aprendendo, na prática, que viver mais perto da natureza é muito diferente de gostar da natureza.
Eu sempre gostei, mas a convivência era algo sazonal, até então… Alguns dias de férias, um fim de semana aqui e outro acolá…
Mas agora preciso conviver. Logo, entender onde esses bichos ficam, por que aparecem, o que pode atraí-los e quais cuidados preciso ter com a casa, com o jardim e, principalmente, com os meus animais e comigo.
Eu já sabia que sapato no chão precisa ser conferido antes de colocar o pé. Agora preciso reforçar esse hábito.
Não dá para enfiar a mão tranquilamente em qualquer canto. Coisa acumulada também precisa de atenção. Aliás, estou desentulhando a casa ao máximo.
Nada mais fica aqui se não for realmente útil.
Aprendi que chuva, calor, mato, folhas e frestas contam uma história que eu nunca tinha precisado ler. E acho que essa tem sido uma das coisas mais interessantes da minha vida aqui no interior.
A natureza deixou de ser paisagem e agora eu convivo com ela.
Vou ser mais observadora, entender melhor esse ambiente e respeitar ainda mais a natureza.
Continuarei tomando susto? Evidente.
Vou desejar ir embora várias vezes no mesmo dia? É claro!
Mas também continuarei dando nome para todos os bichos. Porque, se o cidadão entrou na minha casa sem ser convidado, o mínimo que pode fazer é participar do conteúdo. (rs)
Só estou um pouco preocupada com a próxima atualização. Porque, depois de Max Julião, eu não sei exatamente para onde essa franquia pretende ir.
Espero que fique por aqui…
Porque traumas com cobras eu já trago alguns da infância, de quando morava em São Francisco do Sul, uma pequena ilha em Santa Catarina, e não pretendo atualizar essa história tão cedo…
Quem diria… Sandro, o saruê, está fazendo a maior falta!
Tina | Farmando traumas com a fauna brasileira

