E sem opinião não solicitada também.
Tem gente que toma café sem açúcar e me passa a sensação de que se sente moralmente superior por isso.
Como se o paladar amargo fosse um certificado de inteligência ou evolução espiritual.
Mas deixa eu contar uma coisa: você apenas toma um café preto e puro. Nada mais.
E eu não sou menos nada porque o meu tem açúcar (e às vezes até chantilly, canela e um afago de baunilha… Por que não?).
Cada um toma o que quiser.
E mais importante: como quiser. Com açúcar, sem açúcar, com afeto ou puro ódio matinal… Cada xícara é um universo particular.
Acho que esse hábito de se meter na forma como o outro bebe o próprio café diz muito sobre a gente.
Sobre como ainda temos dificuldade em deixar o outro ser.
Sobre como confundimos opinião com convite pra julgar.
E não, isso não vale só pro café.
Vale para o vinho que você escolhe, pra roupa que você usa, pro jeito que você dança, pro que você posta, pra vida que você vive.
Então sim: eu gosto de café doce.
E talvez esse texto nem seja sobre café.
Seja sobre liberdade.
Sobre a doçura de poder ser quem a gente é, sem que alguém tente colocar amargor à força no nosso gosto de viver.
Se você gosta de brincar com o café, existem alguns ingredientes simples que mudam completamente a experiência.
Uma pitadinha de canela, cardamomo ou cravo-da-índia junto ao pó antes de coar deixa o aroma mais intenso e perfuma a cozinha inteira. É aquele tipo de detalhe que faz o café parecer especial mesmo numa terça-feira comum.
Para quem gosta de bebidas mais encorpadas, um pouco de cacau em pó cria uma mistura que lembra um mocha caseiro, sem precisar virar sobremesa.
Já o leite de coco pode deixar o café mais cremoso e com um sabor diferente do habitual. Algumas pessoas também gostam de adicionar uma pequena quantidade de manteiga, criando uma textura mais aveludada e um corpo mais intenso.
Não existe certo ou errado. Café também é uma questão de curiosidade. Às vezes, basta um ingrediente novo para transformar um hábito automático em um pequeno ritual.
Viva o café ao seu modo, seja ele qual for.
Tina (tomando um delicioso café adoçado à minha própria medida).

